Oi, tudo bem?

Que bom que você veio.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

O LIVRO

O livro é
Folhas em branco
Onde semeiam as letras,
Brotam palavras
E tecem os textos

O livro é
A beleza da primavera
A cor do verão,
O cheiro do outono
E o aconchego do inverno

O livro é
Oceano onde navegam
A ciência e o imaginário,
A busca e o encontro,  
A luz na escuridão

O livro é
A beleza da arte,
É a magia da poesia,
É o encanto da infância,
E a tragédia da morte

O livro
Perpetua uma época,
Imortaliza o artista
E transcende as fronteiras
Do tempo e do espaço

O livro
Nos abduz
Para nos conduzir,
Para bem longe daqui,
Aqui mesmo...


Esta poesia foi escrita por Branca Vieira em 21/10/12.


terça-feira, 16 de outubro de 2012

O Divórcio



O DIVÓRCIO

— Alô? ─ Gustavo Mendes pegou a toalha colocada sobre o guidão da bicicleta ergométrica para enxugar o suor da orelha e não molhar o celular. Saiu da academia em busca de um lugar mais silencioso, onde a música não atrapalhasse a conversa.
— Gustavo? É você?
Ele reconheceu imediatamente a voz. Ela sabia que só ele usava o celular. Porque sempre insistia em perguntar se era ele?
— O próprio.  — Ele era sempre gentil com os outros, mesmo em se tratando dela. — Está tudo bem? Como estão as crianças? — Para os pais, os filhos são sempre crianças, mesmo quando já estão beirando os trinta anos e já lhes deram três netos.
— Está tudo bem, as crianças estão bem, estão saudáveis, os netos estão crescendo feito abobrinhas. — E ela não perdia a mania de falar abobrinhas no telefone.
— Diz aí, Neusinha, em que posso te ajudar? — Ela só ligava para ele quando precisava de alguma coisa. Interesseira ao extremo.
Ela odiava quando a chamava de “Neusinha”, quando estavam juntos. Dizia que “Neusinha” era nome de putinha. Ou melhor, começou a odiar depois de alguns anos de casada. No começo, dizia que ele era tão carinhoso quando a chamava assim. Depois de dez anos, começou a reclamar. Aos onze, começou a esfriar. Com dois filhos pequenos para criar, ele não reclamou. Confessa: até gostei. Afinal, ela não era grande coisa na cama, mesmo. Cinco anos depois, já eram dois estranhos dentro da casa. Ela não dormia mais na mesma cama, não sentava mais à mesa na hora da refeição, enfim, só faltava levantar um muro dividindo o imóvel.
Nos últimos doze anos, depois da separação e de uma fase de desemprego, ele conseguiu uma vaga numa empresa no outro lado do país e ela lhe telefonou umas meia dúzia de vezes, sempre para pedir alguma coisa, de preferência inútil. Ele tinha certeza que desta vez não seria diferente. Aguardou que ela começasse a se desculpar por estar ligando em hora tão incômoda, perguntar se estava muito ocupado, se podia conversar com ela, etc., etc., etc...
Dessa vem, ela não falou nada daquilo. Só falou, incisiva:
— Precisamos conversar sobre nossa separação.
A objetividade da pergunta o pegou de surpresa. Apesar de ele ter sido o expulso do campo, ela nunca se preocupou em oficializar a situação. Especialmente depois que soube que paga as custas quem entra com o pedido de divórcio...
— Pois não, respondeu. — A hora que você quiser... Mas precisamos ir no cartório que casamos, sabia?
— Você ainda mora naquele apartamento no centro da cidade?
Será que ela está a fim de lhe tirar a única residência?
— Moro sim, porque?
— Só para saber. Pode vir aqui para conversarmos?
A principio, ele pensou em dizer que a distância é a mesma, que o interesse era dela, etc. e tal. Mas, como estava de férias, resolveu ir. Afinal, seria bom um passeio numa cidade litorânea. Ele morava em uma cidade longe do mar, ela morava perto da praia, e nenhuma das duas era a cidade que moravam quando se casaram. Atualmente, ambos moram a algumas centenas de quilômetros de lá, em direções diametralmente opostas. Ele confirmou a viagem, marcando a data para se encontrarem.

Dois anos antes:

Neusa estava sentada na mesa de um bar, no shopping, esperando algumas amigas para irem ao cinema. Como chegou cedo, resolveu tomar uma cerveja, para sair da rotina.
Passara metade da vida abominando bebidas alcoólicas mas, depois que conheceu um garotão com muitos músculos e pouco cérebro, entrou na onda dele e começou a beber. Isso foi logo depois que se separou, “já estava cansada da vida monástica com o marido”, como explicava às amigas. O garotão, que tinha idade para ser seu filho, se mostrou muito melhor na cama e muito mais fácil de ser manobrado. Fez gato e sapato dele, até que enjoou. Ficaram juntos cerca de três anos, depois chutou-o sem a menor sombra de remorso, da mesma forma que fizera com Gustavo. 
Passou um tempo sozinha, aposentou-se do serviço público, viajou, curtiu, namoriscou um e outro, até que, naquele dia no shopping, conheceu o Doutor Olavo Teixeira. Não muito alto, encorpado, com uma barriga incipiente caindo sobre a cinta, bem diferente do marido, que era do tipo atlético. Decidiram que namorariam mas não ocupariam o mesmo teto.
─ Não abro mão do meu espaço e da minha independência, ela exigiu.
E ele aceitou de bom grado. Só que vivia no apartamento dela comendo, afinal, ela era uma excelente piloto de fogão e ele um bom garfo. E nunca dispensavam uma cerveja na refeição. Em pouco tempo, sua circunferência abdominal quase dobrou. Ela também estufou um pouco, mas nada que se comparasse ao seu companheiro.
Sutilmente, ele foi se insinuando na vida dela. Descobriu que Gustavo tinha um bom salário, ou, pelo menos assim ela achava. Que tinham juntos diversos imóveis. Mas, se ela pedisse o divórcio, iria perder esses bens, pois, como eram casados pela lei antiga, Gustavo jamais iria abrir mão de sua parte.
─ Acho que você iria ganhar muito mais se, em lugar de pedir o divórcio, você ficasse viúva, ele brincou. 
Ela ouviu mas não brincou. Considerou seriamente a idéia. Comentou:
─ Teria que parecer um acidente, né?
Ele assustou:
─ Você teria coragem?
Ela retrucou:
─ E porque não? Dei quinze anos de minha vida para ele, e o que recebi em troca? Era um desastre na cama,nunca me fez gozar!
─ Então temos que planejar bem, ele refletiu. ─ Tem que parecer acidente. Inicialmente, você faz um seguro em nome dele, colocando você como beneficiária. Depois a gente planeja o sumiço dele direitinho.
─ Isso mesmo, um seguro bem legal. Ele adora praia, mar, nadar, mergulho, essas coisas doidas assim, ela lembrou.
─ Isso facilita as coisas. Um corpo no mar, um afogamento, cheio de testemunhas... ─ ele filosofou. ─ Tenho um amigo que tem lancha, e também mergulha...

E assim se passaram os dois anos, até aquele momento em que ela telefonou para o marido. Marcaram o dia e a hora do encontro. Seria no apartamento dela.
Ela decidiu que iria conversar sozinha com o marido, tentaria uma reaproximação, ou algo assim, de forma que pudesse manobrá-lo.
Gustavo estava mais interessado em pegar alguns objetos seus que sabia ainda estarem lá, entre eles um facão tipo rompe-mato, feito sob encomenda por um artesão, verdadeira obra de arte. Objeto mais de decoração que de utilidade, pois, embora tivesse uma ponta bem aguda, não era afiado.

Chegou uma hora adiantado. O apartamento, no décimo quinto andar do prédio, com uma vista maravilhosa para a enseada, ocupava metade do andar. Era bem projetado, com a área de serviço isolada da área social e distante da área intima. O único senão, na opinião de Neusa, era o fato de que a varanda do quarto principal era ligada com a do vizinho, separada apenas por uma fina parede e tendo no lado de fora uma jardineira espaçosa sem divisão.
Olavo estava curtindo o verão brabo apenas de cueca samba-canção, fuçando nos armários no quarto da empregada, onde Neusa atochara os objetos remanescentes do marido. “O desgraçado vem buscar de conta-gotas essa tralha”, vivia reclamando. E, como estava entretido, não ouviu a campainha tocar, nem a conversa entre eles.
Gustavo admirou-se ao ver, na porta, três trancas, além da fechadura.
─ Andaram fazendo arrastões aqui nos prédios, coloquei isso para me prevenir, Neusa explicou, trancando todas as trancas cuidadosamente, duas voltas cada chave. Em seguida, pegou o chaveiro e colocou sobre um aparador, ao lado da entrada, onde estavam dois celulares. Enquanto ela trancava, ele se observou no espelho colocado na parede defronte ao aparador.
Ela o conduziu pelo curto corredor, até a sala de visitas.
─ Porque você veio tão cedo? ─ cobrou ela, irritada.
─ Não tinha nada para fazer, então resolvi antes. Por que? Estou atrapalhando alguma coisa importante?  ─ Ele retrucou, cínico.
─ Não, não, apressou-se ela a responder. ─ É que não tive tempo de fazer um café.
─ Não precisa se preocupar com isso. Você disse que queria conversar sobre a separação. Pode falar que estou ouvindo, ele falou, jogando-se no sofá.
─ Bem, já estamos separados há quase vinte anos, e se eu resolver casar outra vez... ─ disparou ela.
─ É muito simples: você vai ao cartório onde nos casamos, pede o divórcio, o cartório me intima, vou até lá, fazemos a divisão dos bens, você paga as custas, o tabelião nos divorcia e estaremos ambos solteirinhos da silva de novo.
Ela titubeou:
─ Bem, não é exatamente isso que estou pensando... ─ tentou consertar. Viu que tinha começado da forma errada. ─ Bem... sabe... eu estava pensando se... será que... não tinha um... um jeito de a gente...
─ Se reconciliar? Você quer a reconcilição? É isso?
─ É! É isso mesmo! ─ ela disparou.
Ele levantou-se. Em pé, na frente dela, ela teve que levantar o rosto para olhá-lo nos olhos. Ele era mais alto cerca de vinte centímetros.
─ Não acredito! Você me faz viajar mil e quinhentos quilômetros para me dizer que quer reconciliar, depois de me chutar e me humilhar meia dúzia de vezes? ─ Sua voz saiu em tom mais alto que o normal, e irada!
─ Espera! Vamos conversar...! ─ ela tartamudeou.
─ Ora, faça-me o favor! Tenho coisas mais importantes para fazer na vida! ─ Ele estava irado.
Ela largou-se sobre o sofá. Para variar, fizera tudo errado, de novo. Ergueu o olhar, quase suplicante, para ele. Não sabia o que falar, não sabia como consertar a situação. Ele estava ali, em pé, à sua frente, parecendo um gigante, com as mãos na cintura e o rosto explodindo de raiva...
─ Querida, veja a maravilha que achei...! ─ a voz veio da porta que dava acesso à área de serviço, junto com o som de passos apressados.
Olavo surgiu na porta, com facão rompe-mato estendido à frente. Vinha andando apressado e desajeitado. O chinelo de borracha enroscou no tapetinho colocado na entrada, desiquilibrando-o. Seu peso de cento e cinquenta quilos de banha, por força da inércia, jogou-o em direção às costas de Gustavo.
Assustado com a movimentação, o homem voltou-se, a tempo de ver aquela avalanche humana arrojando-se sobre ele, o facão em riste como a proa de um navio quebra-gelo. Instintivamente, jogou-se para o lado, caindo sobre a poltrona. Viu, horrorizado, aquela massa de carne desabar sobre a delicada mulher, o aço penetrando no seu peito e o sangue jorrando no chão de lajotas claras.
Apavorado, Gustavo pulou da poltrona em direção à porta. Pegou o molho de chaves no aparador e tentou desesperadamente enfiar uma delas numa fechadura. Pelo espelho, viu Olavo levantar-se, com o facão na mão, todo sujo de sangue. Pegou um dos celulares que estavam no aparador e desembestou a correr para porta que levava à área de serviço. Atravessou a cozinha em direção à porta de serviço, na lavanderia. Três trancas protegiam a porta! Sabia que teria que enfrentar aquele monstro. Voltou para a sala. Otávio havia escorregado no sangue derramado no chão, e tentava levantar-se de novo.
Gustavo pegou uma fruteira de acrílico de sobre a mesa, lançou em sua direção e passou por ele correndo, desesperado. No hall de acesso à área íntima, jogou-se para dentro do quarto do casal. Uma vez lá, fechou a porta com brutalidade, puxando uma cômoda que estava ao lado, escorando-a. Depois, empurrou a pesada cama de casal, para reforçar a escora. Em seguida, pegou o celular, foi para a varanda e teclou 190. Quando atenderam, ele gritou:
─ Socorro! Tem um assassino no meu apartamento!
No outro lado da linha, a telefonista pediu que ele se acalmasse e contasse o que estava acontecendo. Ele descreveu em rápidas palavras o sucedido. E completou:
─ Estou entrincheirado no meu quarto, mas não sei por quanto tempo a porta vai aguentar! Ele está esmurrando a porta! Socorro! Venham logo, por favor!
─ Já anotei seu endereço, e estou mandando uma viatura para aí. Tem como o senhor abrir a porta?
Nisso, a vizinha do apartamento ao lado, ouvindo os gritos e a conversa telefônica, apareceu na varanda. Era uma senhora de idade avançada, muito simpática.
─ Se você quiser, posso abrir a porta por fora, meu filho. É só você me dar a chave.
Ele informou à atendente da policia a possibilidade de abrir a porta. Olhou para baixo e viu a viatura encostar em frente ao prédio. Logo em seguida, veio outra. Os policiais entraram correndo no prédio.
No quarto, Gustavo ouvia, apavorado, Olavo bater na porta com o facão, e gritar para que a abrisse. Se ele conseguisse entrar, Gustavo ia pular para a varanda da vizinha.
Os moveis que escoravam a porta começaram a ceder. Ele estava conseguindo empurrá-los. De repente, Gustavo ouviu uma voz ao seu lado:
─ Você é o Gustavo?
Olhou. Era um policial.                     
─ Sou eu mesmo.
─ Chega para lá que eu vou entrar, ele mandou.
O homem obedeceu. Rapidamente, o policial contornou a parede, e apoiando o pé na floreira, chegou na varanda. Nesse instante, a porta do quarto abriu-se. A figura grotesca de Olavo, suja de sangue e segurando o facão, apareceu na soleira. O policial puxou a arma e mandou-o largar o facão. Otávio avançou sobre ele.
Na sala, os outros policiais já entravam no apartamento. Deram a mesma ordem, mas o assassino continuou avançando. O policial que estava no quarto fez um disparo. O projétil atingiu o peito de Olavo, que ainda deu três passos antes de desabar no chão, morto.

FIM

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Meandros da poesia

Mostrando o caminho da poesia para o futuro poeta.


A vida é uma poesia. Abra teus olhos e viva. Você verá poesia em todos os lugares, em todos os fatos, em todos os sentimentos. Arrisque uma poesia ruim sobre um tema bom. Escreva uma poesia boa sobre um tema ruim. Não importa como será, mas será. Não importa como estará escrita. O importante é que estará escrita.

Imagine que a poesia é um monte de barro sobre o torno. Uma massa informe de palavras misturadas, enredando-se na sua mente. Aos poucos, você vai dando forma à ela. Vai definindo seus contornos, trabalhando seu equilibrio. Assim nascerá a poesia.

Abra a janela do teu cérebro e deixe as idéias voarem. Daí sairá a poesia. Ponha teus pés nas nuvens e tua cabeça alcançará as estrelas. Viaje. Sonhe.  Mas leve sempre consigo o lápis e o papel, pois irá colher poesia, muita poesia, que estará plantada entre as estrelas e no teu pensamento.

De volta à Terra, leia. Leia muito. Leia todos os autores que estiverem ao seu alcance. Através dos escritos deles você desenvolverá o seu estilo de escrever a sua poesia. Conhecerá estilos literários, idéias originais de fatos corriqueiros, novas visões de assistir o mundo, jeitos diferentes de escrever a mesma inspiração.

Escrever poesia pode ser um ato solitário, mas viver a poesia e um ato social, comunitário. Converse com os poetas, troque idéias, participe de saraus.

Nunca julgue uma poesia pelo seu conteúdo. O poeta tem suas razões para escrevê-la. Assim também a sua poesia nunca será julgada pelo que você escreveu.

Tenha sempre consigo o papel e o lápis. Nunca se sabe quando uma boa idéia, uma inspiração, um fato interessante irá acontecer. Escreva-o na hora mesma que acontecer. Não importa que. Depois, o escrito durma um dia ou um ano. De repente, ele será útil e necessário. E lembre-se, o maior aliado do poeta é o dicionário.


Tótila Artigas

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

JERICOACOARA


JERICOACOARA

Tótila Artigas

Mar verde de esmeralda
água tépida
relaxante
que envolve meu corpo
me abraça como num sonho
Jericoacoara
a praia onde o jacaré dorme
e eu descanso minha preguiça
nas areias brancas
apreciando o céu safira.
Foi onde conheci Maria
bela cearense que me cativou
prendeu meu coração com seu olhar brilhante.
Perdi-me em seus cabelos negros
viajei em seus beijos quentes
tornei-me cativo em seus braços
e dei-lhe todo meu amor.
Jericoacoara
ainda volto lá, para buscar o amor
que lá deixei...

09/11/11

MARIA BAIANA


MARIA BAIANA

Tótila Artigas

Foi na Baixa do Sapateiro
que vi Maria pela primeira vez.
Me olhou com seus olhos de céu sem nuvens...
perdi-me naquele infinito.
Depois desceu comigo no elevador Lacerda
e eu tinha a impressão que subia para o Paraíso.
No Pelourinho,
amarrou com seus cabelos loiros
meu corpo nas suas curvas morenas.
Na praia da Barra,
em seus lábios grossos e sedutores
Mergulhei beijos salgados de mar.
No Farol da Barra,
ao entardecer luminoso
Guiei-me pelas luzes em seu olhar.
Na Ondina,
de mãos e corações unidos,
nossos passos marcaram as areias macias.
Mas foi em Itapuã
que trocamos todo nosso amor...


09/11/11






domingo, 18 de dezembro de 2011

HISTÓRIA INVERÍDICA


Esta manhã, após o jogo do Santos (0) x Barcelona (4), recebi , em minha caixa de correio, um e-mail com o seguinte recado, escrito num pedaço de folha de caderno:

Senhor Fortesletras
Gravação obtida numa ligação telefônica cruzada no meu computador. Por favor, analise se é autêntica.

Como está anônima e eu não tenho condições de confirmar a autenticidade, então a transcrevo no meu blog, para simples conhecimento dos meus leitores.

Rei Juan Carlos de Espanha
Buenos dias, señora presidenta Dilma, como tienes pasado?

Presidenta Dilma
Bom dia, Majestade. Estou muito bem. E vossa alteza, como tem passado?

Rei Juan Carlos
Mui Bueno, Señora.  Preciso tener una conversa mui importante com la señora.

 Presidenta Dilma
Estou às suas ordens, majestade. Pode falar.

Rei Juan Carlos
Es lo seguiente. Proximo domingo jugara Barcelona y Santos, que nosotros esperamos sea um bueno juego. Cierto?

Presidenta Dilma
Certo, majestade, tenho certeza que o melhor time vencerá!

Rei Jua Carlos
Por supuesto, my querida presidenta, stoy cierto de El mejor  vencera!. Y es por iso mismo que estoy telefonandola. Jo quiero recordala que suya mayor empresa de telefonia es espaniola, que seja, la TELEFONICA  de San Paulo. Biem, nosotros estamos pensando seriamente em estudiar unos reajustes de tarifas, que podra ocurrir despues del juego. Acredito que podemos jegar a uno bueno acuerdo.

Presidenta Dilma
Tenho plena certeza que sim...

Rei Juan
Entonces, estamos tambiem pensando acerca la entrada de lãs mujeres  brasileñas en España. Sabe, sin querer parecer grosero de my parte, pero nosotras mujeres estan reclamando de la concorrência desleal que acontece, que estan perdiendo clientes, la senhora, como mujer, deve entender estas situaciones, jo me creo.

Presidenta Dilma
Sinceramente, Majestade, não vejo relação...

Rei Juan Carlos
 Estamos tambiem implantando em Brasil ciertas industrias que, aqui em España, son mucho importantes, y que posibilitam muchos españoles trabajarem...  Entonces, estas empresas podram mudar de idea, y volver a España, no se se estoy sendo claro...

Presidenta Dilma
Sinceramente, majestade, não vejo...

Rei Juan Carlos
Biem, vamos hablar de cosas mas importantes. El time de Barcelona, qui es  uno de mis queridos times, asta ahora já sofrio três derrotas para los brasileños, entonces, no me gustaria  de velo com uma quarta  derrota, la señora my comprende. Tiengo certeza que tomara las medidas ciertas para una conversa rápida com el señor Muricy, para tenernos um muy feliz final de año aqui en España...

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

FALANDO UM POUCO SOBRE MULHERES








FALANDO UM POUCO SOBRE MULHERES


simonedemelo.blogspot.com

Tótila Artigas

Esta manhã, ao embarcar no ônibus, deparei-me com uma mulher ao volante. Cumprimentei-a com um pouco mais de simpatia que o usual, por ser ela quem é – sempre que embarco no coletivo, desejo um "bom dia", "boa tarde" e, ao descer, "desejo "bom trabalho" ao motorista. Ela respondeu ao meu cumprimento com um sorriso simpático, quase brilhante, eu diria. 


Sentei-me no banco individual, ao lado da porta, lugar estratégico para que eu pudesse observá-la discretamente. Tipo "mignon", morena, cabelos longos pretos, mãos delicadas de unhas longas cuidadosamente manicuradas segurando o volante e trocando as marchas do veículo. E o sorriso permanente. "Se fosse proprietário de uma empresa de ônibus, só colocaria motorista do sexo feminino", pensei. E explico porque: tenho observado que elas são, geralmente, mais atenciosas com os passageiros, mais cuidadosas ao dirigir e, mais importante, mais agradável aos olhos dos passageiros. Não tenho nada contra motoristas do sexo masculino, mas prefiro as do sexo feminino.


Brincadeiras a parte, sou de opinião que a mulher deve ser respeitada pelo ser humano que ela é, não porque galgou postos de serviço que antes era exclusivo dos homens. A jornalista Ana Paula Padrão publicou na revista Isto É, número2194, uma reportagem sobre as mulheres empreendedoras e como esse segmento está crescendo. Cita Elisabete Miranda, que fixou-se nos EUA, abriu uma empresa e foi agraciada com o prêmio Winning Women. Esse prêmio é dado a mulheres que se destacam no mercado americano com idéias inovadoras e coragem para implantá-las — palavras da própria jornalista. 


Uma mulher amiga minha, aproveitando sua nacionalidade européia, uma vez que nasceu lá mas viveu e estudou no Brasil, depois de revezes profissionais em terras tupiniquim, guardou seus diplomas universitários, de pós-graduação e doutorado, e foi ganhar a vida no velho continente trabalhando como terapeuta.


A Deusa tríplice



Citei apenas três exemplos de mulheres que, com a cara e a coragem, enfrentaram o mundo e tiveram sucesso. Mas onde ficam os milhares de brasileiras que não conseguem, por motivos mais variados que existem, alcançar esse sucesso? Que batalham aqui mesmo, neste reinado do machismo, submetendo-se à trabalhar três jornadas diárias, as vezes mais, para dar conta de casa, filhos, emprego, marido? E que não recebem o menor reconhecimento?


Infelizmente, neste estado laico em que vivemos, ainda a mulher é submetida à tirania do sistema religioso que impõe rígidas regras morais na forma de leis arcaicas.


Isis e Osiris


Mas nem sempre foi assim. Houve época, na história da humanidade, que a mulher era respeitada, não só como ser humano que é, mas até divinizada, por ser a procriadora. Esculturas encontradas em escavações, datadas da eras pré-históricas, mostram a mulher grávida, a continuadora da especie. Segundo estudiosos, essas peças eram objetos de culto, de adoração. Nada consta que elas fossem subalternas, inferiores aos homens. E assim surgiu a aurora da humanidade, sempre tendo a mulher como ser igual ao homem, táo igual que as divindades todas eram formadas sempre por um casal: Shiva e Parvati, Baal e Astarte, Amon e Mut, Isis e Osiris, Deusa Terra e Cernuros, só para exemplificar, pois o panteão é imenso. E todas eram tão atuantes como seus respectivos maridos na condução da humanidade. Para reverenciar esses deuses e deusas, haviam os sacerdotes e as sacerdotisas, sempre em pé de igualdade e, em alguns casos, elas mais atuantes ainda. 

jornale.com.br

Deusa Mãe e Cernuros

No mundo dos humildes mortais, as mulheres tomavam as rédeas de governos tanto quanto os homens, como Cleópatra e Nefertiti, no Egito. E foi nesse mundo dos mortais que, em determinado momento, surgiu uma divindade que, segundo seus seguidores, teria tirado a mulher do nível parelho ao homem e colocado em segundo lugar, em nível inferior, culpada de diversos males que levariam o homem ao crime.


De repente, a mulher foi coisificada juntamente com a casa, o servo, a serva, o boi, o jumento: "Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem coisa alguma do que lhe pertença”. (Êxodo 20,17)" (http://www.bibliacatolica.com.br - Biblia da CNBB). (grifo do autor) 


Começou aí o martírio, a perseguição da mulher. Como coisa, ela podia ser vendida, dada, trocada, ao bel prazer do macho dominante (o pai, o marido). A justificativa? O pecado entrou no mundo através da mulher. Foi ela quem se deixou seduzir pela serpente e comeu do fruto da árvore proibida e, o que é mais grave ainda, deu ao homem o fruto, para ele comesse também, segundo Gênesis 3, (op. cit.). 


Até hoje ela paga por esse erro. Quando nasce, o pai deve dirigir sua vida. Felizmente, isso já está mudando, e muitos pais abdicaram do poder de dominar sua filhas, permitindo que estudem, trabalhem, escolham seus próprios caminhos. Pena que ainda ficamos na situação "muitos pais", e não na situação "os pais..." - forma genérica e geral. 


Bem, a mulher conquistou seu espaço na vida profissional do século vinte, como vimos nos exemplos acima. Conquistou? Será? Em muitas empresas, a mulher ainda ganha o que o macho dominante, dono da empresa, acha que ela vale, não o quanto ela merece. E ele sempre acha que ela vale menos que o profissional que executa o mesmo serviço, as vezes sem o mesmo cuidado ou diligência. O salário até pode ser o mesmo, jamais será mais alto, pois a desculpa é que ela tem problemas mensais que alteram seu humor, sua capacidade, sua disponibilidade. Mais desculpas? Ela terá, fatalmente, que se afastar do serviço para atender às obrigações a que a natureza lhe confere: garantir a continuidade da espécie. Isso significará cu$to para a empresa, em forma de ausência no trabalho, queda na produção, necessidade de reposição de mão-de-obra, pagamento de salário garantido apesar de não estar produzindo, etc., etc., etc... Tanto essa situação é realidade que a ampliação da licença maternidade foi duramente combatida, nesta terra maravilhosa do samba e da mulher bonita, por quase a totalidade dos empresários. Não fosse a atuação firme e decidida de suas pares, nos círculos administrativos políticos, e elas ainda estariam trabalhando até o último dia da gestação, parindo seus filhos e voltando a trabalhar no primeiro dia após o parto!


Recentemente, - dezembro de 2011 – três mulheres foram agraciadas com o prêmio Nobel,as liberianas Ellen Johnson Sirleaf e Leymah Gbowee, e a iemenita Tawakkul Karman. Conforme a reportagem: "Segundo o presidente do comitê Thorbjoern Jagland, elas representam a luta pelos "direitos Humanos em Geral e das mulheres pela igualdade e paz, em particular." (www.paraiba.com.br).


Ainda existem países que subjugam suas mulheres, obrigando-as a viverem escondidas sob roupas, dizendo que, assim, não excitarão o homem. Tudo por ordem de seres superiores, criados pelo homem (categoria sexual) exclusivamente para possibilitar o jugo do homem (ser genérico) pelo homem (ser governante).


Mulheres pensam, decidem, analisam, mas quando têm que agir, encontram forte resistência do sexo oposto. O representantes das leis também não as favorecem muito, não. Recentemente, um oficial da policia canadense falou que a mulher foi atacada pelo marginal estuprador porque sua roupa era provocante, ela mostrava mais do que devia do seu corpo, portanto, era culpada de ter provocado o homem. Assim sendo, o homem foi considerado "vítima" do poder de sedução da mulher, o que lhe dava total direito de atacá-la, violentá-la, estuprá-la e quaisquer outros nomes que se queira dar ao ato por ele executado. Será que a mulher não tem o direito de se vestir do jeito que se sente bem, confortável? 


O jornalista sentiu-se abandonado, pegou uma arma e descarregou as seis cápsulas nas costas da mulher que tomou a decisão – unilateral diga-se de passagem – de reconquistar sua liberdade longe dele. Ela está morta e ele está livre, aguardando a decisão da lei.


Apenas dois exemplos. Preciso citar mais? O da cabeleireira? É Só abrir os jornais – impressos, falados, digitalizados – e teremos milhares de exemplos! Quantas mulheres são protegidas quando têm sua integridade atingida? Quem escuta seus brados de socorro, de vítima?


Graças a Deus, a lei mineira da legítima defesa da honra não pegou! Senão, qualquer assassino de mulher iria alegar que sua honra foi maculada depois que transou com ela, que ela procurou amor verdadeiro em outros braços ou que ela tenha recusado seu "convite" para fazê-lo feliz.


Não vou discriminar aqui padrões de pele, pois não é meu objetivo. Tampouco vou falar das mulheres que galgaram postos políticos, militares ou cientificos. Não as estou desprezando. Simplesmente, essas mulheres, ainda são seres isolados, infelizmente, que batalharam e conseguiram chegar lá. Seria pieguice de minha parte fazer loas para elas. Minha luta é pela mulher comum, aquela que batalha de sol a sol para sustentar filhos, casa e, as vezes, marido – não vou entrar em méritos deste último motivo. Mulher é, e sempre será mulher, não importa a cor de sua pele. E deve ser respeitada como tal, pois é a parte fundamental para que a espécie tenha continuidade. 


Será que, em plenas calendas do século 21, a mulher ainda tenha que ser sujeitada às vontades do macho alfa? Será que esse macho não percebeu que a mulher faz parte de sua vida, parte tão importante quanto o alimento, o ar, o sol? Que está exatamente no mesmo nível social, econômico, filosófico, que ele?